El junkie
Por que a Benki não me larga? Essa menina apareceu tem uns dois meses, e não me solta de forma alguma! Aqui cada um tem um apelido, ela é a Benki porque no início quando dizia “vem aqui” para alguém (no caso, quase sempre, para mim), fazia uma vozinha irritante, manhosa e acabava dizendo “bemquí”. Então a chamamos de Benki. A Carmina diz que a garota se apaixonou por mim, bobagem! É só um encanto idiota, porque não dou bola. Acho que é isso. A gente tá de boa hoje, embaixo da Biblioteca Nacional porque está chovendo muito. Brasília em janeiro, não tem como ser muito diferente. Estou limpo há um ano. É sério, sério mesmo! Não lembro a data exata, mas não importa. Agora só fumo cigarro, um baseado de vez em quando, e bebo. Drogas pesadas não mais. Tem uma garota andando lá longe, sozinha. Ela parece estar chorando, não sei. Sentou agora num banco, no meio da chuva. O Remo tá me dizendo que ela parece ter fugido de casa. Acho que vou lá, dar um susto na garota. Deve estar esperando o papai, quem sabe ganho uns trocados. Corri e agora estou sentado ao seu lado, ela parece desconfiada. Ani é o seu nome.
3 de janeiro de 2009 – 23h15min.
Engraçada a garotinha, devia ter seus quinze ou dezesseis anos, talvez dezessete. Faz tempo que não me importo mais com a idade das pessoas que me cercam, é tudo gente, né? Tinha belos lábios, tinha sim. Ela me deu uma patada tão foda que achei melhor sair de perto... “Sei me virar, sai daqui seu dorme-sujo de merda”. Como se agora ela também não fosse uma ‘dorme-suja’, mimadinha. Saí mesmo, voltei pro meu abrigo embaixo da BNB e quem foi lá acolher a novata foi a Carmina, nossa transexual. Nosso grupo tem sete pessoas, né? Agora oito. A gente mora na rua desde que se fez pensante, um bando de anarquistas desvairados, e hoje é a noite dos punks no Conic. ‘O Conic tem de tudo’, dizem. E tem mesmo. Como eu disse, hoje é a noite dos punks no Conic. Vai tocar um grupo novo, que de certo não fará