De onde vem a personalidade
24-11-2014
Cada ser humano possui uma personalidade, que, no conjunto das suas características, se torna única, independentemente das semelhanças que possa ter com muitas outras. Isto deve-se às condições que determinam o comportamento do indivíduo, as quais eu considero uma interacção entre factores genéticos e ambientais, tendo estes últimos um papel de maior impacto. A definição do nosso eu será, então, baseada em quê?
O conhecimento do genoma humano, para além de relativamente recente, é imparcial. Isto significa que se desconhece a existência de genes que definam, por exemplo, a simpatia de uma pessoa. Uma conclusão que poderíamos imediatamente tirar seria que isso depende da influência do meio onde o ser é criado. Disto isto, assumindo que as características de uma personalidade estão em constante evolução, apesar de os seus traços principais serem definidos durante a adolescência – o que não significa que sejam imunes a qualquer tipo de alteração, mas sim que esta exija uma experiência algo impactante.
Surge então a questão: seremos comparáveis a “tábuas rasas”, adquirindo as nossas características ao longo da vida, ou haverá algo que nasce connosco, que será, inevitavelmente, inalterável? Apoio a segunda hipótese, baseando-me numa experiência realizada, que consistia na separação de dois gémeos à nascença, que, partilhando do mesmo material genético, foram criados em dois ambientes de características opostas. Estes apresentavam, na generalidade, comportamentos distintos, mas sob algumas circunstâncias concretas, comportamentos exactamente iguais. Isto mostra que o meio no qual cada indivíduo fora criado os condicionou, graças a factores religiosos, sociais, económicos, culturais, etc.
A época em que vivemos influência imediatamente quem somos, pois define, por exemplo, o quão aberta a nossa mente pode ser. Enquanto que há poucas décadas a homossexualidade era algo impensável, hoje o