Coletânea - felicidade
ESPECIAL
A nova ciência da felicidade
Os psicólogos sempre se preocuparam com a doença. Agora voltam sua atenção para uma questão mais desafiadora: o que nos torna felizes?
DAVID COHEN E AIDA VEIGA
COLABORARAM RENATA LEAL E TÂNIA NOGUEIRA
Há 2.400 anos, um sujeito chamado Sócrates, que perambulava pelas ruas de Atenas, na Grécia, iniciou um debate que dura até hoje: o que é felicidade? Como atingi-la? Até então, as pessoas acreditavam que dependiam basicamente dos desígnios dos deuses - como explica o professor de História da Universidade da Flórida Darrin McMahon, autor do recém-lançado livro Happiness: a History (Felicidade: uma História). A própria origem da palavra denota isso. Happiness vem do anglo-saxão happ, acaso. Felicitas, o termo latino que dá origem a felicidade, significa também ventura, sorte, algo que lhe acontece.
O grande avanço de Sócrates foi tornar a busca da felicidade uma tarefa de responsabilidade do ser humano, e não do acaso. Nos dois milênios que se seguiram, a questão foi abordada por inúmeros pensadores, de Aristóteles aos grandes filósofos cristãos, e a noção de felicidade oscilou entre várias tentativas de conciliar a conduta individual e a ordem divina. 'Tudo mudou com o Iluminismo', afirma McMahon. 'No século XVIII, felicidade passou a ser algo a que todos temos direito como seres humanos.' Um dos conceitos básicos da Revolução Francesa, marco da moderna sociedade ocidental, é que o objetivo da sociedade deveria ser a felicidade geral. Na Constituição americana, já na segunda linha está escrito que todo homem tem o direito inalienável à vida, à liberdade e à busca da felicidade. No Brasil, um exemplo da força desse apelo foi o mote da campanha eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989, Sem Medo de Ser Feliz.
Nos últimos dois séculos, portanto, felicidade tem sido um dos principais parâmetros para conferir sentido à vida humana. E, agora, todo o nosso conhecimento sobre o assunto