Carnevalle
Inicialmente imaginado como o instante de agradecimento aos deuses pela fertilidade da terra, a farra do carnaval logo ganhou ares de culto à pujança, à beleza, à bebida e ao sexo. Do Egito antigo (4 mil anos antes de Cristo ), quando se homenageava a deusa Ísis e se celebrava, ao redor de uma fogueira, um instante de confraternização entre as diversas classes sociais, o Carnaval chegou a Veneza, de onde se espalharia para todo o mundo, com as cores que marcariam, definitivamente, a sua história. E é nesta belíssima Veneza do Séc. XV que a festa tomou as características atuais, com suas alegorias, fantasias, máscaras, desfiles etc. Trazido de Portugal, via Ilha da Madeira e Cabo Verde, o Carnaval aporta em terras tupiniquins em 1641, trazendo na bagagem toda a alegria e irreverência já típicas da festa. Mas é apenas no Rio de Janeiro de 1840 que ocorre o primeiro baile de salão. Já os primeiros clubes carnavalescos esperariam mais um século para surgirem. Na Bahia, diferentemente do Rio de Janeiro, ganhou força o carnaval de rua, dos afoxés (classe baixa) e dos clubes (das elites). Contudo a maior invenção do carnaval baiano estaria no aparecimento do Trio Elétrico de Dodô e Osmar, em 1950, algo que consagraria de vez o carnaval popular e de rua. No caminho de uma possível compreensão de significados que carrega o carnaval da Bahia na atualidade, é importante nos determos na década de 80. Este é um momento histórico para o país, quando ocorrem diversos fatos sócio-politicos de magnitude suficiente para alterar, de forma bastante significativa, as relações de poder. É o momento da chamada “abertura politica”, da chegada e implementação de um novo modelo politico-econômico (neo-liberal) que, orquestrado nos EUA e Europa, estabeleceriam regras não apenas comerciais (quebra