Brasil - Mito Fundador e Sociedade Autoritária
CHAUÍ, Marilena. Brasil - Mito Fundador e Sociedade Autoritária. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2000.
O livro Brasil - Mito Fundador e Sociedade Autoritária da autora Marilena Chauí faz uma reflexão irônica acerca do nosso conformismo com a situação do país. No primeiro capítulo, Com Fé e orgulho, ela aborda a nossa internalização herdada desde o descobrimento do Brasil, que o nosso país é um paraíso repleto de belas paisagens, possuímos riquezas florestais e minerais, que nascemos abençoados por Deus, que somos abençoados porque no nosso país não acontecem catástrofes naturais. E ainda que seja um povo formado pela mistura de três raças valorosas, e desconhecemos qualquer tipo de preconceito racial, de credo ou de classe. Que a nossa história foi construída sem nenhum rastro de violência ou derramamento de sangue, exceto por Tiradentes. Que nosso povo é feliz, amantes da boa música, futebol e carnaval.
Há uma crença generalizada de que todas essas percepções formam a nossa identidade nacional, essa mistura de sentimentos que fazem com que nos sintamos parte integrante da nossa nação. Existe uma verdadeira formação de imagem positiva, de um Brasil que é fraterno, mas que precisa somente, de desenvolvimento tecnológico para avençar rumo à modernização. Essa representação de país perfeito tem suas raízes em 1500, ano de descobrimento do Brasil. De lá pra cá ela é sempre renovada mediante competições de futebol, datas comemorativas ou eventos esportivos que camuflam corrupções e escândalos políticos. No segundo capítulo Mito Fundador, a autora define o Mito como solução imaginária para as contradições acerca da identidade nacional do nosso povo. Quando ela diz fundador, ela se refere a um passado que nunca se torna presente impedindo a compreensão da realidade. Ela revela que o descobrimento do Brasil é uma invenção histórica e uma construção cultural. No terceiro capítulo A Sagração da Natureza fala sobre o aparecimento da colonização europeia,