Brasil em aquarela
Neoclássico, romântico, liberalista, amigo de Napoleão, ideal iluminista, pintor e desenhista francês. Jean Baptiste Debret poderia também, facilmente, ser considerado um historiador. Sua obra, “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, não é um amontoado de imagens soltas ao acaso, mas a história de uma colônia em plena transição. Cultura, povos, urbanização, natureza, todos esses aspectos são abordadas por ele e mesmo trabalhando para a corte portuguesa Debret valorizou o cotidiano da época, marcado por um processo histórico iniciado desde 1808, com a vinda da corte lusitana para o Rio de Janeiro.
Com o avanço das tropas de Napoleão Bonaparte na Europa a família real deixou Portugal e partiu rumo ao Brasil, marcando, com a sua chegada, o início do período Joanino (1808-1822), a fase de transição entre colônia e império. A nova capital da corte precisava de grandes modificações para ser digna da realiza. A abertura dos portos (quebra do pacto colonial) pelo então príncipe-regente Dom João, foi à primeira medida de renovação da sociedade. O Rio de Janeiro tornou-se destino de comerciantes, artistas, diplomatas e cientistas. Entre esses, em 1816; pintores, arquitetos, escritores e escultores a pedido do príncipe vieram para a região, sendo assim denominada de Missão Artista Francesa, com os objetivos de criarem a Academia de Belas Artes, introduzir o ensino superior acadêmico, além de melhorar o aspecto urbano e artístico brasileiro.
Oito anos depois da chegada da coroa portuguesa a comitiva de artistas deportou no litoral do Rio de Janeiro. Entre esses estava Debret, que veio ao Brasil em busca de oportunidade de trabalho e superar os problemas pessoais, a separação da mulher, a morte de um dos seus filhos e a destituição do cargo de pintor de Napoleão após sua queda definitiva um ano antes (1815). A colônia portuguesa seria uma ótima chance de recomeçar, contudo quando chegou no Rio percebeu a distancia entre os valores éticos (iluministas,