Adolescência, ética e cidadania
Editorial Editorial Editorial
Adolescência, ética e cidadania
Adolescence, ethics and citizenship
Adolescencia, ética y ciudadanía
Maria Ignez Saito1
A ética pode ser reconhecida como a parte da filosofia que estuda os deveres do homem para com
Deus e para com a sociedade. A ética fala de ethos - costumes, comportamentos, que se tornam normativos para determinado grupo social, procurando conferir-lhes um caráter racional e universal que ultrapassa a arbitrariedade dos indivíduos. Já a cidadania fala de cidade, de civilização, de conduta no mundo das relações sociais e de políticas que edificam “a casa do homem” - seu nicho ecológico-social de inserção.
Como a adolescência - período de vida com suas singularidades e ritos de passagem – articula-se à ética, imperativo para edificação do indivíduo-cidadão?
Falar de ética e cidadania, desde a antiga Grécia, é falar de adolescência, pois então, o adolescente era reconhecido como “aquele que se elevou” para se tornar cidadão e cumprir os costumes (ethos) dos adultos. Hoje, mais do que nunca, é reconhecida a importância do período da adolescência na construção do sujeito definitivo, sendo suas vivências e valores determinantes do comportamento do ser humano na adultícia. A pergunta que permanece é como grupos de referência da sociedade articulam-se para tornar os indivíduos éticos e cidadãos. E dentro desta óptica, qual seria o papel da medicina enquanto ciência e arte, neste processo?
É relevante salientar que a hebiatria, medicina de adolescentes, tornou-se definitivamente área de atuação do pediatra, cabendo a ele capacitar-se para esta abordagem. Talvez o mais importante é que os pediatras, como os pais e professores, devam ser antes de mais nada educadores e que sua proposta de educação seja sempre direcionada para a formação de seres pensantes, críticos, que desenvolvam instrumentos capazes de melhorar a proposta social: adolescentes deverão