O contexto ideológico e histórico oculto em ‘a revolução dos bichos’ de george orwell
Considerada uma das obras-primas de George Orwell e um dos livros mais influentes do século passado, “A Revolução dos bichos” até hoje influencia o pensamento moderno pela sua alegoria quase infantil, porém densa e bastante subjetiva. O seu prestígio perdura até os dias de hoje, existindo estudos e análises contextuais sobre seu enredo. Enredo que, por sinal, se assemelha a uma fábula: a Granja do Solar, uma fazenda no interior da Inglaterra dominada por um autoritário proprietário, se vê às voltas com uma revolução improvável, na qual os animais de criação da fazenda expulsam seu senhor e instauram ali uma proto-república, com leis, obrigações, direitos e uma breve noção de estado. O problema começa quando os porcos, que tinham em Major, o idealizador da campanha, resolvem tomar as primeiras decisões para si. A partir daí a evolução da história segue como qualquer forma de governo política, partindo para uma polarização de poderes, despotismo disfarçado e uma inversão dos valores originais na qual um estado é projetado. Nesta breve publicação, de 112 páginas, encontram-se nos animais os mais comuns estereótipos humanos: Os porcos, que se assemelhariam à Intelligentsia socioeconômica; Cães, que são treinados pelos porcos para sua defesa, algo como uma força policial; os cavalos, que desempenhariam papel semelhante ao da classe média. O burro, representado pelo enigmático Benjamin, é o cético niilista; e as ovelhas e galinhas representam a classe baixa, completamente manipuláveis e despossuídos de opinião pessoal. O modelo contemporâneo de sociedade é bastante fiel aos modelos expostos pelo autor. Em dado momento do livro, após a revolução, Napoleão e Bola-de-Neve, dois dos principais porcos da Granja, disputam o poder com ideias diametralmente opostas. As ríspidas trocas de farpas entre os dois acabam com a tomada de poder pelo primeiro e um forte apelo pela degradação da