A hist ria do metal do metal duro
De Francisco Carlos Marcondes(*) Tocar a pedra e, como reação imediata, prendê-la entre os dedos... Senti-la e descobrir que, se lascada, pode ser um instrumento de produção ou defesa. Descobrir um método que a lasque de forma a se maximizar os resultados de sua utilização... Encontrar a argila... tocá-la como se fosse uma interrogação curiosa e responder com gestos que a moldem e que a transformem em utensílios práticos ou decorativos... Imaginar instrumentos que trabalhem essa pedra e essa argila com maior perfeição e eficácia... Identificar o metal... por um simples acaso, extraí -lo do minério, dotá-lo de dureza e resistência e, então, descobrir instrumentos capazes de trabalhá-lo... aumentar sua dureza e tenacidade e novamente descobrir instrumentos capazes de cortá-lo... Está é, pode-se dizer a história compacta do metal duro. Uma história de milênios em seu preâmbulo, mas apenas algumas décadas de sua existência concreta. Produto da metalurgia dos pós, o metal duro é composto de materiais, como o carbureto de tungstênio, carbureto de titânio e carbureto de titânio-nióbio, suportados num metal de liga, principalmente o cobalto, que lhe confere tenacidade. Sua dureza, resistência ao desgaste e tenacidade fazem do metal duro o mais importante material para as ferramentas de corte, transformando-o no verdadeiro astro das operações de usinagem. Embora seja curta sua história - apenas algumas décadas - os materiais que entram em sua composição já são conhecidos há alguns séculos. O tungstênio, por exemplos, um dos materiais mais duros de que se tem conhecimento, se encontra citado na literatura científica por volta de 1570, sob a denominação Wolfram. Os mineiros de estanho de Cornwall, Inglaterra, quando o encontraram pela primeira vez, jogaram-no fora, pois pensavam tratar-se de impurezas que consumiam o estanho como o lobo devora a ovelha - "as a wolf eats ram". A expressão passou a denominar o novo metal que, mais tarde, por