A construção do estudo da sexualidade
A publicação do primeiro volume do famoso relatório sobre a sexualidade masculina de Alfred Charles Kinsey (Sexual Behavior in the Human Male), em 1948, deu origem a uma enorme polêmica nos Estados Unidos. O livro foi um dos mais vendidos naquele ano. Rapidamente, Kinsey se transformou numa celebridade, considerado até hoje como uma das personalidades mais polêmicas do século XX. Foi capa dos principais jornais e revistas do país. O segundo volume, abordando a sexualidade das mulheres (Sexual Behavior in the Human Female) foi publicado em 1953.
A controvérsia que daí resultou foi inevitável, pois certos dados chocavam a estrutura clássica da família americana no final da década de 1940 e início da década de 1950. A América acabava de descobrir que, segundo os estudos de Kinsey, 92% dos seus homens e 62% das suas mulheres se masturbava. E que 37% dos homens e 13% das mulheres já tinham tido uma relação homossexual que lhes tinha proporcionado um orgasmo. Neste caso, os fatos foram noticiados pela imprensa sensacionalista como uma verdadeira bomba.
Os seus relatórios foram vistos por muitos como o início da revolução sexual da década de 1960. Apesar de ainda hoje encontrarmos dados resultantes do Relatório Kinsey, há que ter em conta que esses mesmos dados têm cerca de 50 anos e que, certamente, muitas das práticas e percentuais da época podem certamente ter se modificado.
O mundo mudou muito nos últimos sessenta anos! Os jovens que “ficam” e namoram com liberdade nem imaginam como eram os tempos da vovó. Nos anos 50, chamados anos dourados, a distinção entre os papéis masculino e feminino era bem nítida: o homem era o chefe da casa e a mulher lhe devia respeito e obediência. Na família modelo dessa época, o homem sustentava o lar e a mulher se ocupava com os cuidados da casa e dos filhos. De acordo com esse modelo, as características próprias da feminilidade eram o instinto materno, a pureza, a resignação e a