Segredo inconfessável
Revisão: Pam
PRÓLOGO
Não havia estrelas no céu. Aliás, era uma típica noite de inverno, fria e sem luar. Apenas o som da neve que caía em profusão ousava romper o silêncio que imperava do lado de fora da casa.
As luzes do pátio e da piscina iluminavam os flocos, conferindo-lhe um surpreendente tom dourado e, devido à temperatura estar bem abaixo de zero, a neve beijava o chão congelado e demorava para derreter, formando pequenos montes brancos que, com certeza, no outro dia acabariam virando bonecos de neve.
Deanna deu um profundo suspiro e recostou-se contra o vidro da janela. Num gesto impulsivo, esfregou uma mão contra a outra, antes de escondê-las sob a manga do vestido de veludo azul-cobalto que usava. Mesmo assim, continuou a fitar a neve como se tivesse sido hipnotizada pelo lindo balé daquele fenômeno da natureza.
Era véspera de Natal em Houston, Texas. Quem poderia imaginar que a temperatura estaria tão atípica? Ela, por exemplo, estava acostumada a passar os feriados natalinos sob uma temperatura média de trinta graus, usando short e precisando ligar o ar-condicionado para se sentir à vontade.
Verdade que os meteorologistas vinham dizendo que iria nevar no Natal, porém os moradores de Houston tinham suas dúvidas acerca de tais previsões. Afinal, do alto de seus quarenta e dois anos, ela própria não se lembrava de ter havido um inverno tão rigoroso.
As notícias veiculadas pela televisão davam conta de que, por causa da grossa camada de neve que cobria o solo, muitas estradas estavam interditadas, e a polícia rodoviária vinha tendo dificuldades em manter a ordem nas vias expressas.
Um pequeno barulho a tirou de seus devaneios, e Deanna voltou-se a fim de olhar para o pai que, conforme enfeitava a árvore de natal, manobrava a cadeira de rodas com agilidade.
De súbito, percebeu que, embora concentrado em sua