Resenha - A cidade e a noite
Dividida em três partes, a obra é prefaciada pela professora Dra. Yvone
Dias Avelino, que apresenta a teia de relações da obra de Matos, como as tensões, o criar e recriar paisagens (inclusive sonoras), tensões, disputas, sensibilidades e representações da década de 1950, chamada da década dos anos dourados. Na apresentação da obra, a autora fala da pesquisa que originou essa obra, do aprendizado no processo de realização do trabalho (que durou uma década) e das inquietações e questionamentos.
No primeiro capítulo, Matos esclarece sobre as mudanças que a história passou como ocasionado pela crise dos paradigmas, que fez com que a história se abrisse para novas formas de pesquisa, como nas transformações da sociedade, funcionamento da família, papel da disciplina e mulheres, fatos, corpos, gestos e sensibilidades, entendido como tempo de mudanças e permanências. A autora afirma que “grande parte dos segredos está encoberto por evidências inexploradas ”. Nisso, a cidade (com sua praça, rua, bairro e praia) que antes era um palco da história entra como um campo de tensão, observado nos discursos médico e político, ela também pode ser entendida como um território de múltiplas experiências sensoriais e de paisagens sonoras, nos sons da urbe em movimento. A autora levanta questões, como a falta de observação das tensões e noções do privado e público, a relação entre o pessoal e o político, a experiência, permanência, os poucos estudos da
produção musical, vivenciadas de formas diferentes:
Para além dessas dimensões o corpo desenvolve percepções e sensoriedades (visão, olfato, tato, audição, gustação), canais culturais de comunicação (movimentos, expressões, gestos, linguagens), usos e práticas e sensibilidades (dor, esperança, amor, saudades etc.), que tornam o corpo uma âncora de emoções, com formas, necessidades, funções físicas, sensações e sensibilidades reconhecidas como habitus.
Apesar do ponto de vista medieval de que a