Resenha - curta "the lost thing"
Quantas vezes você já teve tempo de parar o carro, descer do ônibus ou simplesmente interromper uma caminhada ao descobrir um museu, um artista de rua ou para olhar o céu e admirar as nuvens ou a fachada de um prédio? Quantas vezes você já chegou em casa à noite e, por estar cansado, não percebeu que alguém estava extremamente feliz, bonito ou com os olhos mergulhados em lágrimas? “The Lost Thing” , um curta australiano inspirado no livro “Lost & Found”, de Shaun Tan, trata dessa capacidade em ver e prestar atenção no que está acontecendo ao nosso redor, admirar as pessoas, conseguir ver algo que não é comum à sua rotina. O curta mostra um garoto que encontra uma “coisa” gigante na praia enquanto catava garrafas para sua coleção e fica impressionado ao perceber que ninguém mais a viu ali – talvez por estarem fazendo outras coisas mais importantes. O filme, dirigido por Andrew Ruhemann, ganhou em 2011 o Oscar de Melhor Curta de Animação e deixa, ao fim, uma dúvida: por quanta coisa será que passamos aí e não vemos? O violinista Joshua Bell foi convidado para fazer uma experiência sobre a percepção das pessoas, certa vez, e tocou por quase uma hora sem quase ser percebido, apenas uma pessoa o reconheceu.
Estamos tão ocupados com nossas vidas “cinzas” e com a rotina que perdemos a percepção, perdemos a habilidade de ver o que realmente importa, o que trás alegria às nossas vidas. Foram quinze minutos, aproximadamente, que me fizeram refletir sobre este comodismo presente nos meus dias. E você, está muito ocupado para assistir?
The Lost Thing
(The Lost Thing, Austrália, Inglaterra, 2010)
Orçamento: AUD 500.000 (estimado)
Gênero: Animação, Drama, Fantasia
Duração: 15 min.
Tipo: Curta-metragem / Colorido
Prêmios: Vencedor de 1 Oscar
Produtora(s): Passion