Profundamente
Interpretando o poema, pode-se dizer que o mesmo se apresenta em dois tempos distintos: o passado (quando tinha seis anos) e o presente (hoje); bem destacados pelos advérbios que aparecem no início da 1ª e da 5ª estrofes, respectivamente.
O início do texto mostra algumas lembranças do eu-lírico vividas na noite de São João, quando ele tinha seis anos e não pôde ver o final da festa, porque tinha adormecido. Então, ao acordar (possivelmente, no meio da madrugada), toda a alegria produzida pelas músicas, risadas e brincadeiras do cotidiano das pessoas daquela época tinha desaparecido, porque todos da casa estavam dormindo profundamente (no sentido literal - denotativo). No entanto, a partir da 5ª estrofe, percebe-se a mudança de tempo e a mesma angústia vivida pelo eu-lírico de não ouvir mais as vozes daquele tempo e se questiona até perceber que eles não estavam mais lá, pois haviam morrido (“dormido profundamente” no sentindo conotativo).
É interessante a brincadeira que o poeta faz com as palavras em seu sentido denotativo e conotativo (“dormir profundamente”- 4ª e 7ª estrofes); percebe-se, portanto, que se trata de um bom entendedor das palavras que o cercam e que, através de um vocabulário simples, consegue atingir temas tão profundos como a morte e a saudade.
Além disso, ele utiliza-se de alguns recursos estilísticos, como o som e, para tal, a terceira estrofe pode ajudar, pois nos quatro primeiros versos, dá para notar a constante repetição do som “s” que provoca a idéia do queimar da pólvora produzida pelo balão (“[...] Estrondos de bombas luzes de Bengala / Vozes, cantigas e risos/ Ao pé das