Modos de dominação e revoluções na inglaterra
Thompson, na elaboração de sua obra, examina as tradições dos trabalhadores no século XVIII, dentro de uma linhagem historiográfica tipicamente anglo-saxônica. Sendo que o mesmo se inclina em uma corrente que combina a história social, cultural e o marxismo. Assim, diante da amplitude de sua obra intitulada por “As peculiaridades dos ingleses e outros artigos”, iremos fazer uma abordagem acerca do capítulo “Os modos de dominação e revoluções na Inglaterra”.
O esforço de Thompson no sentido de recuperar a história das classes inglesa o levará a um esforço de examinar “as diferenças de interpretação dos conceitos de classe e de desenvolvimento na historiografia marxista na França e na Grã- Bretanha” (THOMPSON, 2002. p. 204). Nesta perspectiva, observa-se a combinação analítica que o autor faz entre a religião, a tradição, os costumes, a economia, a política e as leis dentro de um desenvolvimento global da sociedade inglesa.
No capítulo analisado, o que interessa para o autor é registrar os fenômenos sociais e culturais presos ao mercado das relações econômicas, os modos de dominação existentes entre a gentry (nova nobreza rural) e a plebe. Assim, ele discute as relações que há entre essas duas classes no decorrer do século XVIII. “O modo de dominação particular da burguesia implicava um Estado frágil e, por conseguinte um grande poder da plebe” (THOMPSON, 2002. p. 209). Thompson percebeu, neste contato, que haveria dominação através da hegemonia cultural. Assim, a plebe exerceria práticas defensivas moldadas pelo aparelho jurídico, impondo à gentry concessões e obrigações. Por outro lado, através destas concessões e de uma complexa trama fundada em reciprocidade, a gentry exercia sua dominação. Desta forma, a hegemonia desta classe poderia conter revoluções, mas