mercado de capitais
LATINO-AMERICANO E GOVERNANÇA CORPORATIVA: ESTUDO DE
CASO DO BRASIL
RESUMO
A adoção de “boas práticas de governança corporativa”, principalmente àquelas baseadas no modelo do mercado acionário anglo-saxão, é essencial para o desenvolvimento do mercado de capitais latino-americano. Este artigo visa discutir criticamente esta afirmação defendendo a hipótese de que “boas práticas de governança corporativa” são importantes para o desenvolvimento dos mercados de capitais dos países latinos, porém não suficientes, devido principalmente, ao aspecto de que a adoção de tais práticas não muda a estrutura de propriedade concentrada do mercado; não altera o perfil de menor porte das empresas, como também, não muda o fato de que os papéis lançados têm que concorrer com papéis que oferecem altíssima rentabilidade interna. O desenvolvimento desta hipótese será sustentada através de uma metodologia descritiva, acompanhada por uma pesquisa quantitativa que analisará a correlação do índice Ibovespa e o IGC (Índice de Governança
Corporativa) em relação ao Risco Brasil. A pesquisa procurará mostrar que os determinantes do Risco Brasil afetam o índice Ibovespa assim como afetam a valorização do mercado de capitais mesmo depois das empresas adotarem
“boas práticas de governança corporativa”, fato este evidenciado pelo índice
IGC. A semelhança do mercado de capitais brasileiro em relação aos outros países da América Latina possibilitará fazer uma análise comparativa das conclusões do trabalho.
Introdução
Nas duas últimas décadas ocorreram importantes transformações no quadro econômico brasileiro que influenciaram a capacidade de tomada de recursos por parte das empresas.
A forma básica de financiamento dava-se principalmente via crédito, sendo que o mercado de capitais brasileiro esteve à margem do arranjo financeiro (VIEIRA & CORREA, 2002). As inovações financeiras que surgiram nas décadas de 80 e 90