limites entre publico e privado
Repetidos casos de autoridades viajando em jatinhos de empresários levantam dúvidas sobre os limites de caronas como essas. Especialistas ouvidos por Zero Hora consideram que episódios assim colocam em xeque a conduta ética e legal de quem ocupa cargos públicos.
Em meio a uma avalanche de suspeitas de mau uso das funções públicas, o ex-ministro Wagner Rossi admitiu como natural ter voado “três ou quatro vezes” no avião de uma empresa que dependia de sua pasta para vender produtos agropecuários. O casal de ministros Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann teria viajado na campanha eleitoral dela ao Senado na aeronave de uma empresa com contratos do PAC no Paraná.
Outro caso notório este ano terminou em tragédia. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e sua família embarcaram no avião do empresário Eike Batista, que presta serviços ao governo do Rio. A história só veio à tona porque parte do grupo usou, também, um helicóptero que caiu, matando sete pessoas. Constrangido, o governador prometeu rever os limites entre as amizades e o cargo que ocupa e criou comissões de ética.
Para o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, o homem público, em geral, é “tragado pela cultura de que pode tudo”.
– Esse tipo de conduta não é permitido pelo princípio da moralidade que a Constituição determina – alerta.
No caso do Executivo federal, há regras bem específicas. Aceitar transporte pago por particulares fere o Código de Conduta da Alta Administração. O texto veda presentes de qualquer natureza, acima de R$ 100. Uma sanção nesse nível, no entanto, só tem consequências políticas.
– Mas se a carona estiver relacionada a algum tipo de negócio irregular, aí já não tem nada a ver com o código de ética. É usar o cargo para auferir um benefício para si ou para terceiro – ressalta o