inquisição
Pelo que estudamos e analisamos sobre esta obra, podemos afirmar que o ‘Memorial do Convento’ denuncia o medo que se vivia naquela época devido às perseguições levadas a cabo pela igreja. A inquisição era uma especie de tribunal destinado a defender a fé católica, vigiavam, perseguiam e condenavam os suspeitos de cometer delitos, bruxaria, sodomia, pedofilia entre outros. O numero de mortos causados pela inquisição foi enorme assim como os tipos de torturas. O auto-de-fé é o episódio previsto pelo narrador como o ‘’dia de alegria geral’’, uma vez que a multidão vem à rua, exaltada com a proximidade da morte dos condenados. É aqui que Blimunda conhece Baltasar em 1711, pois sua mãe era uma das sentenciadas e também é aqui que vê partir Baltasar, queimado numa fogueira em 1739. O narrador revela a sua dificuldade em perceber se o povo gosta mais de autos-de-fé ou de touradas, evidenciando com esta afirmação a sua ironia crítica perante um povo que revela um gosto sanguinário e procura nas emoções fortes uma forma de preencher o vazio da sua existência. Este auto de fé trata-se assim de uma cerimónia ritualizada, em que todos os intervenientes sabem exatamente como atuar, ou seja: -As mulheres tal como nas procissões, exibem-se à janela, muito bem arranjadas. -O povo dirige um discurso ofensivo aos condenados num estado de euforia coletiva.
-Os sentenciados trazem círios na mão e vestem-se de acordo com a condenação.
-Os religiosos organizam-se, na procissão à frente os dominicanos e depois os inquisidores
-Os homens e as mulheres, que assistem à queima, dançam diante a fogueira. -O rei, os infantes e as infantas celebram o final do auto-de-fé com um magnifico jantar na inquisição.
No que toca à escrita de saramago na ‘inquisição’, visualiza-se uma descrição pormenorizada e visualista onde se destacam recursos estilisticos, como a adjetivação expressiva, metáforas e a ironia.