Influência do neoliberalismo no Sistema Nacional de Educação em Moçambique.
A construção dos Estados nacionais e o colonialismo europeu na África
O brevíssimo período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial caracterizou-se, em primeiro lugar, por uma descolonização peculiar e tardia. A peculiaridade reside no fato da emancipação haver transcorrido largamente administrada pelas metrópoles europeias, apesar da eclosão de alguns conflitos graves. Isto foi possível e se deu de forma tardia, devido ao descompasso da realidade africana em relação à da Ásia e do Oriente Médio. As contradições internas ainda não estavam suficientemente amadurecidas, em decorrência da referida herança do tráfico e do colonialismo imperialistas sobre as estruturas sociais do continente, bem como pela posição particular das metrópoles europeias e de suas colônias africanas nas relações internacionais do imediato pós-guerra e durante a Guerra Fria.
Após as malogradas tentativas de reafirmação colonial na Indochina e na Indonésia as metrópoles trataram de emancipar politicamente o continente, cooptando as elites locais. Isto foi logrado com relativo sucesso, através da implantação de regimes neocoloniais, nos quais os interesses europeus eram conservados. Além disso, criaram-se mecanismos de ajustamento internacionais destinados a perpetuar esse processo de subordinação e ação na dupla relação metrópole-colônia.
Dentro do processo de ocupação colonial na África podemos dizer, grosso modo, que excetuando a invasão árabe no norte do continente, que acabou por introduzir e difundir a religião islâmica no local, a presença de estrangeiros não foi tão significativa.
Depois dos árabes foram os portugueses que penetraram no continente ocupando as ilhas do Atlântico - Cabo Verde, São Tomé e Madeira - na Era dos Descobrimentos (final do século XV e início do XVI). Posteriormente, instalaram também núcleos de administração colonial nos moldes dos que tinham feitos aqui no Brasil pela experiência colonizadora. Em Luanda e Moçambique