Independ Ncia Do Brasil
A crise do Sistema Colonial
As relações entre metrópole e colônia estabeleceram-se desde a época dos descobrimentos em função dos interesses da burguesia mercantil e das exigências do Estado moderno. A debilidade do capitalismo incipiente, a fraqueza das instituições estatais que não conseguem se adequar tão rapidamente quanto seria necessário as novas formas de produção e consumo, determinam a aliança entre os mercadores e a Coroa, numa troca de serviços e garantias que se define por um sistema de monopólios e privilégios concedidos pelo Estado aos mercadores.
À burguesia mercantil interessava o estabelecimento de um Estado suficientemente forte para proteger os interesses comerciais e romper as barreiras medievais que se opunham à expansão do comércio. Uma das bases fundamentais do Estado seria o princípio da regulamentação e da restrição, aplicado em maior escala, através da proteção e do monopólio, com o objetivo de assegurar o capital comercial, mercados mais amplos e seguros.
Durante o período colonial, os monopólios foram alvo de numerosas críticas, havendo uma tensão permanente entre produtores e distribuidores, entre fazendeiros de açúcar e comerciantes, entre os que disputavam o usufruto dos privilégios. No nível internacional, o regime de monopólios deu margem a atritos constantes entre nações detentoras de monopólios e nações impedidas de participar do comércio.
A ocupação de parte do território por holandeses e franceses, os atos de pirataria e contrabando cometidos em número crescente por navios ingleses, franceses, holandeses e de outras nações, ao longo da costa brasileira são, uns e outros, expressões da luta contra o monopólio e privilégio. O contrabando tende a crescer à medida que se desenvolvem as manufaturas inglesas e os produtos encontram mercado mais amplo no Brasil graças ao crescimento e enriquecimento das populações coloniais.
No fim do século XVIII, o regime de monopólios deteriorava-se rapidamente. A