Husserl e a retomada da Filosofia frente à psicologia
No final do século XlX a psicologia ganhava cada vez mais terreno e admiração, pretendendo resolver de forma decisiva as questões relativas à teoria do conhecimento e à lógica, fazendo com que essas disciplinas saíssem do terreno da filosofia, ameaçando enfraquecer a própria filosofia. É neste cenário que o pensamento de Edmund Husserl surge opondo-se de forma contundente ao psicologismo da época. Husserl pretende com o seu projeto fenomenológico, fazer da filosofia uma ciência rigorosa. Para Husserl, existe uma diferença fundamental entre a psicologia e as ciências normativas puras. A primeira, segundo ele, é uma ciência empírica dos fatos do conhecimento. Já no segundo caso trata-se da lógica e da teoria do conhecimento. Para Husserl, por ser a psicologia uma ciência empírica, e portanto, não possuir a apoditicidade ou universalidade das regras lógicas, não cabe a ela o poder de resolver a questão fundamental da teoria do conhecimento, ou seja: como é possível que o sujeito cognoscente acesse com certeza, de forma segura, uma realidade que lhe é exterior? Dessa forma, as leis lógicas que constituem os alicerces de toda ciência não podem ter como base a psicologia. Husserl nos apresenta a estrutura da consciência como intencionalidade , conceito que significa; visar alguma coisa, dirigir-se para. Sendo a consciência intencionalidade, toda consciência é consciência de... de modo que a consciência não é alma e nem uma substância, e deve ser entendida como uma atividade constituídas por atos, por exemplo, vontade, imaginação, paixão e etc.. Husserl irá chamar esses atos de noesis, e tudo aquilo que pode ser visado por esse atos será chamado de noema. Essa distinção é decisiva para a crítica de Husserl ao psicologismo