FLUTUAÇÕES DA ALMA: PROPOSIÇÃO XVII DA PARTE 3 DA ETICA DE ESPINOSA
EDUARDO ANTONIO DA SILVA LACERDA
FLUTUAÇÕES DA ALMA: PROPOSIÇÃO XVII DA PARTE 3 DA ETICA DE
ESPINOSA
CURITIBA
2013
2
DOS AFETOS
No prefácio da parte III de sua Etica, Baruch de ESPINOSA faz uma breve exposição programática do tema a ser tratado. Escreve o autor:
“Tratarei, assim, da natureza e da força das afecções, e do poder da alma sobre elas, com o mesmo método com que nas partes precedentes tratei de
Deus e da alma, e considerarei as ações e os apetites humanos exatamente como se tratasse de linhas, de superfícies ou de corpos.
Desta forma, geométrica, o filósofo escreve. Mais do que forma, é a análise que se reveste de rigor matemático, onde os afetos e a alma humana são descritos com auxílio de verbos tão distantes de poemas que versam sobre estes mesmos temas como ‘aumentar’ e ‘diminuir’.
A definição de afeto pode ser resumida como afecções do corpo pelas quais sua potência de agir é aumentada ou diminuída, estimulada ou refreada. Victor
Delbos explica o sentido de ‘potência de agir’:
“Assim, se alguma coisa aumenta ou diminui, favorece ou reduz a potência de agir de nosso corpo, a idéia dessa coisa aumenta ou diminui, favorece ou reduz a potencia de agir de nossa alma. (Ética, III, prop. XI) Ora, a potência de agir, seja do corpo, seja da alma, é o que se pode chamar perfeição, e o termo perfeição aplicado aos estados humanos não poderia ter outra significação positiva senão essa.”(DELBOS, p. 132)
Importante destacar que, conforme a proposição VII da Etica II, corpo e alma diferem apenas quanto a seus atributos, sendo o primeiro extensão, e a segunda pensamento. Por seu turno, as outras definições da parte introdutória da Etica III são: a) causa adequada – aquela cujo efeito pode ser percebido clara e distintamente por ela mesma; b) causa inadequada ou parcial – aquela cujo efeito não pode ser percebido por ela só; c) somos ativos quando, em nós ou fora de nós, sucede algo
de