Enigma de Kaspar Hauser - Resenha
O Enigma de Kaspar Hauser é um filme alemão, dirigido por Werner Herzog e tratará de um jovem que passou um período de aproximadamente 13 anos num exílio do convívio social, uma cela escura. Nesta, não lhe foi permitido o contato com outros seres humanos e sua alimentação consistia em pão e água, oferecidos enquanto este dormia. Foi deixado em uma cidade da Alemanha chamada Nuremberg, com um bilhete na mão descrevendo brevemente sua trajetória.
Quando foi encontrado e trazido de volta à convivência social, Kaspar não falava. A capacidade se comunicar era natural, embora o código de signos que possibilitava o diálogo não era instintivo de um indivíduo tanto tempo afastado do convívio social. Sua habilidade em comunicar-se não se desenvolveu (até aquele ponto) pois não encontrou em seu cativeiro, o material necessário à aprendizagem e ao desenvolvimento.
Esta ideia se relaciona com a de Clifford Geertz, em seu texto “A interpretação das culturas”, capítulo II. Para o autor, o homem não pode ser visto “nem apenas por suas habilidades inatas, [...] nem apenas por seu comportamento real, [...] mas sim pelo elo entre eles.” A construção do indivíduo de Kaspar, então, se dá justamente nesta interligação das características inatas à espécie com o que se absorve deste meio em que se vive. Como já dito, a linguagem verbal teria sido adquirida pela educação lhe ensinada na cidade alemã. Mas este fato só ocorreu graças à capacidade de se comunicar inerente aos seres humanos.
Podemos relacionar estes conceitos com o texto “Antropologia das Emoções”, onde os autores consideram que as emoções tem uma dimensão psicobiológica, mas que a forma como ela se expressa é singular de uma de uma determinada vivência social. Embora Kaspar pudesse sentir e se emocionar, sua maneira de expressá-la seria sempre diferente dos indivíduos que não passaram pelo exílio. Uma característica marcante disto é o fato do jovem não se sentir confortável em meio ao silêncio,