diversos
Foucault aborda então o Panóptico de Benthan que dá origem a “O Panoptismo” do título do capítulo. Descreve sucintamente o princípio já conhecido da construção em anel com uma torre no meio. No panóptico, o princípio da masmorra é invertido, das funções trancar, privar da luz e esconder, só resta a primeira. A visibilidade torna-se uma armadilha.
Os detentos são uma fonte de informação e não de comunicação. A multidão, individualidades fundidas, dão lugar a uma coleção de individualidades separadas. “Daí o efeito mais importante do Panóptico: induzir no detento um estado consciente e permanente de visibilidade que assegura o funcionamento automático do poder” (p. 191). Benthan inicia o princípio de que o poder devia ser visível e inverificável. O detento não sabe se está sendo vigiado, mas isso não importa, o que importa é que ele saiba que pode estar sendo vigiado. O Panóptico dissocia o par ver-ser visto, automatizando e desinvidualizando o poder. “Vê-se tudo, sem nunca ser visto.” (p. 191).
Além desses efeitos, o Panóptico pode ser utilizado como máquina de experiências, modificando, treinando e retreinando os indivíduos e analisando as transformações obtidas nesse processo. Benthan o apresentou como uma utopia do encarceramento perfeito, embora muitas vezes o Panóptico aparecesse descrito como uma jaula cruel e sábia. Entretanto é indubitável que ele tenha polivalentes aplicações: emendar os prisioneiros, cuidar dos doentes, instruir escolares, guardar os loucos, fiscalizar os