Desigualdade e exclusão social
Maria Antônia de Souza
Professora do Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino e Mestrado em Ciências Sociais Aplicadas - UEPG A obra "Metamorfoses da questão social" nos permite refletir sobre as novas facetas da exclusão presentes em nossa sociedade. Ainda que o foco do autor seja o cenário francês, muitos elementos são úteis para indagarmos a presença da "precariedade do emprego" e "desfiliação social" no contexto brasileiro.
Rizek, ao prefaciar a obra de Castel, afirmou que o autor contribui para iluminar uma questão central:
"a idéia de que as metamorfoses de questão social não dizem respeito apenas a quem, de um modo ou de outro, foi atingido pelas novas formas do desemprego ou de precarização, aos novos inúteis do mundo, aos inimpregáveis, aos que se localizam nas margens da sociedade salarial. É o centro das relações salariais e sociais que está igualmente em discussão, isto é, a própria natureza dos laços e vínculos que constituem o seu núcleo. Não se trata, então, de dar conta somente dos processos de exclusão (...) mas também o que acontece com os que permanecem no interior das zonas de coesão social ou nas zonas de integração em seu frágil equilíbrio, constituído a partir do vínculo entre as relações de trabalho e as formas de sociabilidade...".
A categoria trabalho é entendida para além das relações técnicas de produção, implicando num feixe de relações sociais, culturais e identitárias de indivíduos e grupos coletivos.
Antes de apontar alguns pontos centrais que permeiam o capítulo 8, quero fazer referência a algumas situações que têm sido comuns na sociedade brasileira, hoje. Os desempregados, sentem-se ameaçados pela demora, ou ausência de perspectivas, na conquista de um novo emprego. Alguns buscam auxílio familiar – financeiro – para pagamento de possíveis prestações. Tiram os filhos de escolas particulares, quando é o caso. O círculo de amigos torna-se reduzido,