Crise econômica da frança
Não são números oficiais. Mas o professor se queixa do silêncio das autoridades e diz que a estimativa pode ser até maior se forem levados em conta outros fatores:
“São cifras muito reduzidas, porque eu só levo em conta o desemprego. Mas a crise tem outros efeitos, como a precariedade, dívidas, divórcio, que também aumentam o risco”, disse Debout, ao “Le Monde”.
O especialista, que durante 14 anos presidiu a União Nacional para a Prevenção do Suicídio, chegou a esse número fazendo a correlação entre as tentativas e mortes por suicídio e o número adicional de desempregados na França desde 2008, quando estourou a crise, até final de 2011: 648.500 pessoas a mais sem emprego. A França é um dos países mais afetados por suicídios.
E os números, segundo o “Le Monde”, marcam também uma inversão de tendências. Depois do pico de 12.525 mortes em 1986, o número de suicídios por ano vinha baixando desde 1987, mas a partir de 2008, voltou a subir, sobretudo entre a população ativa, de 35 a 65 anos: 10.127 em 2007; 10.353 em 2008; e 10.499 em 2009.
As estimativas de Debout para a França confirmam a tendência em toda a Europa. Um estudo divulgado em julho passado por David Stuckler e três outros autores, da Universidade de Cambridge, revelou uma disparada no número de suicídios na Grécia e na Irlanda, dois países fortemente afetados pela crise. Segundo os especialistas, os países mais afetados pela crise, registraram bem mais suicídios do que os outros.
De forma geral, os suicídios teriam aumentado 7% desde 2008 nos países-membros mais antigos da União Europeia, e menos de 1% nos novos membros do Leste da Europa. Por conta da boa rede de proteção social para