Bullying - a provocação/vitimação entre pares.
Bullying – A provocação/vitimação entre pares no contexto escolar português
SUSANA FONSECA DE CARVALHOSA (*)
LUÍSA LIMA (**)
MARGARIDA GASPAR DE MATOS (***)
1. INTRODUÇÃO
Com bastante frequência, somos alertados para situações de violência que ocorrem, nas escolas, entre os jovens. Este facto não é novo mas está a ser motivo de preocupação e interesse para os próprios alunos, pais, profissionais da educação e da saúde, e comunicação social. As agora conhecidas e divulgadas consequências e efeitos negativos destes comportamentos para o desenvolvimento e para a saúde mental dos jovens envolvidos e para todo o público em geral, talvez seja uma das possíveis causas da actualidade deste assunto.
Neste estudo iremos abordar um tipo de violência que na literatura é referido como «bullying». Pela dificuldade de tradução desta palavra para uma com o mesmo significado na língua portuguesa iremos utilizar o termo original. Para facilitar a compreensão deste conceito podemos designar este fenómeno por «provocação/vitima-
(*) Faculdade de Motricidade Humana, Lisboa.
(**) Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa.
(***) Faculdade de Motricidade Humana, Lisboa.
ção» ou «intimidação», apesar de nos trabalhos de Pereira, Almeida e Valente (1994) ter sido designado como «agressividade/violência».
Olweus (1991, 1993, 1994) definiu o conceito de bullying afirmando que «um aluno está a ser provocado/vitimado quando ele ou ela está exposto, repetidamente e ao longo do tempo, a acções negativas da parte de uma ou mais pessoas». Considera-se uma acção negativa quando alguém intencionalmente causa, ou tenta causar, danos ou mal-estar a outra pessoa (Olweus,
1994). Esse repetido importunar pode ser físico
(e.g. Greenbaum, Turner & Stephens, 1988;
Mellor, 1993; Peters & McMahon, 1996), verbal
(e.g. Beck, 1995; Bosworth, Espelage & Simon,
1999; Sullivan, 2000), psicológico (e.g. Olweus,