Análise do poema Destruição
Segue o trabalho de análise e interpretação do poema ‘Destruição’ de Carlos Drummond de Andrade que fiz para a aula de Estudos Literários. Só por curiosidade, tirei nota 9. Nesta versão, corrigi alguns erros que foram apontados…
Destruição
01 Os amantes se amam cruelmente e com se amarem tanto não se veem. Um se beija no outro, refletido. Dois amantes que são? Dois inimigos.
05 Amantes são meninos estragados pelo mimo de amar: e não percebem
07 quanto se pulverizam no enlaçar-se, e como o que era mundo volve a nada. Nada, ninguém. Amor, puro fantasma
10 que os passeia de leve, assim a cobra se imprime na lembrança de seu trilho. E eles quedam mordidos para sempre. Deixaram de existir, mas o existido
14 continua a doer eternamente.
(Carlos Drummond de Andrade, Lição de Coisas, 1962) Este trabalho procura analisar e interpretar o poema “Destruição” de Carlos Drummond de Andrade. Publicado no livro “Lição de Coisas” em 1962, esse poema claramente traz em si uma reflexão sobre o amor. Essa reflexão toma o amor entre dois amantes como aspecto negativo na vida humana, como se nota no título “Destruição”. Quanto a sua forma, o poema é um soneto italiano – formado por dois quartetos e dois tercetos – que possui algumas rimas toantes irregulares. Os versos são decassílabos, tendo, em geral, a sexta sílaba tônica acentuada fortemente e, assim, intensificando a percepção das várias antíteses presentes no poema, que aparecem quase sempre separadas de um lado e de outro pela sexta sílaba tônica, como em “Os amantes se amam cruelmente” e “Dois amantes que são? Dois inimigos”. Nota-se ainda uma marcante aliteração no uso abusivo de /m/ e /n/ por todo o poema, o que acaba por compensar estruturalmente a ausência das rimas. No primeiro verso “Os amantes se amam cruelmente”, há uma oposição entre amar, que normalmente seria um