A trajetória das políticas de patrimônio no Brasil: o Largo do Pelourinho
Resumo: o presente artigo é uma breve demonstração da trajetória das políticas de patrimônio no Brasil. Nele, informações sobre o origem da preservação dos monumentos históricos brasileiros serão levantadas no intuito de demonstrar tal preocupação como resultado da estimulação do turismo no decorrer do século XX. Para tanto, o Largo do Pelourinho, declarado Patrimônio Cultural da Humanidade em dezembro de 1985, foi tomado como exemplo para a discussão da temática.
Palavras-chave: Patrimônio; Memória; Cidade; Turismo; Pelourinho.
Durante muitos anos, os homens abandonaram ou destruíram o que havia sido edificado no passado. A preocupação como a restauração, proteção e preservação é algo muito recente. Zanirato (2004, p.325-6) afirma que:
As primeiras políticas efetivas de preservação ocorreram no contexto das grandes reformas urbanas da Europa, em meados do século XIX, e tiveram razões econômica e estratégica, de modo a evitar pilhagens generalizadas e proteger a propriedade pública. Não tardou para que outras partes do mundo também passassem a preservar seus bens, orientadas, em grande medida, pelas Cartas e Recomendações sobre patrimônio, uma espécie de legislação internacional que estabelece regras para a salvaguarda dos bens pertencentes à coletividade e que são emitidas por organizações como o Conselho da Europa, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco); o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos); o Conselho Internacional de Museus (Icon) e a Organização dos Estados Americanos (OEA).
Assim, foi na primeira metade do século XX que a preservação dos monumentos históricos brasileiros começou a ser discutida. Foi em 1938, por exemplo, que as cidades mineiras de Ouro Preto, Diamantina, Mariana, Tiradentes, São João Del Rei e Serro foram tombadas e elevadas à condição de monumento nacional, buscando, dessa forma, conservar o