Redescoberta do imperialismo
Este texto foi originalmente escrito como introdução aos Ensaios sobre o imperialismo e a globalização , de Harry Magdoff, que deverá ser publicado na Índia pela Cornerstone Publications.
O conceito de “imperialismo” foi considerado fora do limite aceitável do discurso político dentro dos círculos dirigentes do mundo capitalista durante a maior parte do século XX. A referência a “imperialismo” durante a guerra do Vietname, não importando se realista ou não, era quase sempre sinal de o autor estar do lado esquerdo do espectro político. Numa introdução à edição americana de 1971 Imperialismo nos anos setenta de Pierre Jalée, Harry Magdoff observou, “Como regra, os académicos polidos preferem não usar o termo 'imperialismo'. Consideram-no desgostante e não científico”.
Hoje, repentinamente, isto deixou de ser verdadeiro. Os intelectuais americanos e a elite política estão calorosamente a abraçar de forma aberta a missão “imperialista” ou “neoimperialista” dos Estados Unidos, reiteradamente enunciada em publicações de prestígio como o New York Times e a Foreign Affairs . Este fervor imperialista deve-se muito à “Guerra ao Terrorismo” da administração Bush, que está a assumir a forma de conquista e ocupação do Afeganistão e – se as suas ambições forem cumpridas – do Iraque. De acordo com a Estratégia de Segurança Nacional da administração Bush, não há limites ou fronteiras reconhecidas ao uso do poder militar a fim de promover os interesses dos Estados Unidos. Face a esta tentativa de expandir aquilo a que só se pode chamar de Império Americano, intelectuais e figuras políticas estão não só a regressar à ideia de “imperialismo”, como à visão da mesma proposta pelos seus antigos promotores do século XIX, ou seja, como constituindo uma grande missão civilizadora. Comparações dos Estados Unidos com a Roma Imperial e com o Império Britânico são agora comuns na imprensa de referência. Tudo o que é