Quem cuida precisa de cuidados
POR EULINA OLIVEIRA FOTO FERNANDO GARDINALI
Eles passam boa parte do seu tempo se dedicando a outras pessoas que, sem a ajuda deles, não conseguiriam atender às próprias necessidades básicas, como comer, trocar de roupa, tomar remédios e fazer a higiene pessoal. De tão dedicados, esquecem-se da própria saúde e sofrem desgastes físicos e emocionais. São os chamados cuidadores, que podem ser formais (profissionais remunerados) e informais (geralmente um parente da pessoa a ser cuidada). São estes últimos, aliás, os sujeitos às maiores cargas de estresse, especialmente por causa do vínculo afetivo com o paciente.
“Há cuidadores homens, que em geral são maridos e voluntários, e até mesmo crianças. Mas, em sua grande maioria, os cuidadores informais são mulheres, principalmente esposas e filhas de pacientes com doenças que causam algum grau de dependência em suas atividades diárias”, afirma o geriatra Ciro Augusto Floriani, professor da Faculdade de Medicina do Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso), de Teresópolis (RJ).
Uma característica freqüente é que esses indivíduos quase sempre de - sempenham sozinhos esta função. Muitos têm de abrir mão do emprego e da própria vida pessoal para se dedicar 24 horas à pessoa que depende totalmente de seus cuidados, e acabam ficando sobrecarregados.
“Os problemas mais comuns são os relacionados à exaustão física, emo - cional, social, financeira, materi al e existencial”, destaca Floriani. E ele aler ta. “Já existem estudos consistentes que mostram um risco aumentado de morte e de eventos cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio, entre mulheres cuidadoras de seus maridos, somente pelo fato de exercerem essa tarefa.”
Mesmo no caso dos cuidadores formais é preciso preparo físico e psicológico para exercer