Muito Bom
Apesar de estarmos em época de consideráveis avanços científicos, tecnológicos, e pedagógicos, a educação nos sistemas escolares continuar a ser vivenciada como se fosse assexuada. Apesar dos discursos teóricos acadêmicos existentes que propõe o entendimento e o respeito ao aluno e a aluna como as pessoas que são, parece ainda existir, na grande maioria dos currículos de formação de educadores, uma falsa e perversa dicotomia corpo-mente como parte de um currículo oculto, desconsiderando e enviesando o desenvolvimento da dimensão fundamental desses aluno-aluna-professor-professora como ser humano. Essa dimensão diz respeito à relação que todos mantém com seus corpos e sua sexualidade, com os conseqüentes reflexos pedagógicos nas relações desses professores e dessas professoras, também corpos reprimidos ou negados, com seus alunos e alunas-corpos disciplinados, num perverso círculo vicioso de desumanização.
Pesquisadores críticos como Olivier (1998a, 1998b, 1998c), Freire (1991), Moreira (1995), Jana (1995), Sérgio (1999), e tantos outros parecem confirmar a crescente preocupação com os paradigmas dicotômicos sobre o corpo existentes nos currículos de várias licenciaturas.
Embasada nesses e em vários outros pesquisadores, aliada sobre reflexão sobre a práxis da professora e pedagoga que sou, hoje formadora de professores e professoras, portanto também a partir da minha intensa vivência no cotidiano de várias escolas públicas desse país, posso ousar presumir e afirmar que o currículo específico de Pedagogia, como curso formador de pedagogos e pedagogas em suas mais variadas habilitações, também possui um currículo sobre a principal relação desses alunas e alunas, e seus professores e professoras:: aquela consigo mesmos, a partir inclusive do seu entender-se como corpos-seres-sujeitos-sexuados no mundo.
Como coloca Polak (1997)
"apesar de o corpo ser tema milenar,