Mineiros do Chile
Nós somos a civilização da imagem. Nós somos a civilização que estabeleceu um sinal de igual entre visível, real e verdadeiro. Só é real aquilo que está diante dos nossos olhos. (...) É como espetáculo que a nossa civilização funciona da economia à guerra e é como espetáculo que a imagem exerce sua tirania sobre nós. (BUCCI, 2007)
Os medias intermedeiam grande parte das mudanças que ocorrem na sociedade e realizam a manutenção dos princípios dessas novas ordens que se instituem, sendo assim, tornam-se responsáveis por boa parte das referências sócio-culturais que a sociedade leva consigo. O presente trabalho debruça sobre a cobertura do caso dos 33 mineiros presos na mina de ouro e cobre San José, no Chile, 800 km ao norte de
Santiago. O caso ficou conhecido como Mineiros do Chile e aconteceu entre os dias 5 de agosto e 13 de outubro de 2010, data em que o último mineiro foi retirado com vida da mina. No entanto, até o final do ano de 2011 ainda havia registro de veiculações sobre o caso.
Sob essa ótica, este trabalho analisará como a mídia nacional e internacional atuou sobre o caso, partindo do princípio do documentário “Heróis do Chile”, produzido pela GloboNews em outubro de 2010, abordando o viés da ética, enquadramento, exaltação dos heróis e criação das celebridades instantâneas, tendo em vista o lado econômico e dinâmico dos fechamentos dos jornais e telejornais.
O jornalismo é capaz de instituir um local aos indivíduos deslocados na sociedade contemporânea através de um espaço de reconhecimento por meio de bens simbólicos, que ativam as memórias culturais e nos remetem às nossas identidades, a um sentimento de pertencimento. Dessa forma, ele se sente parte do acontecimento, o qual é incluído nos meios de discussões informais diárias, formalizando um sistema simbólico que atua como estruturador e mantenedor da organização social, estipulando e reforçando atitudes e valores.
Sob essa lógica, a mídia auxilia na