Mestre Vitalino
O fazer
Tão antiga como o homem é a sua permanente experiência de transformar a natureza e o meio ambiente, produzir utensílios, caçar, pescar, edificar casas e nessas descobertas de modos e técnicas representar-se a si e ao seu grupo, simbolizando, construindo identidades.
O longo e dinâmico processo das descobertas tecnológicas vai marcando períodos históricos e arqueológicos na conquista e singularidade das culturas elaboradas à luz do princípio das diferenças.
Inserido num determinado cenário ecológico e segundo as possibilidades oferecidas pela natureza, o homem experimentava, descobria, elaborava e incorporava técnicas ao seu cotidiano bem como ampliava outras para marcar o ritual do nascimento, da morte, de uma boa caça, entre outros.
Desse modo, as tecnologias também foram possibilitando a vida. Ampliaram o arsenal de ferramentas para a caça, a pesca, a agricultura, elaboraram o uso de materiais, como a pedra, a madeira, as fibras até a fundição dos metais sem nunca desvincular simbolicamente o homem do seu meio ambiente, apoiado na mitologia e na gênese dos seus antepassados, no aparecimento do mundo e do homem.
Num processo de trabalho humanizado e pessoal, as técnicas artesanais que permanecem até hoje, além de responderem pela sobrevivência de milhares de indivíduos, elas assumem valor memorial na história, nas regiões, nas sociedades em que predominam e para as quais estabelecem identidades com produtos, materiais, cores, formas e usos indicados pelas culturas.
Hoje, em plena globalização, os povos procuram manifestar e preservar suas identidades mediante especialmente seu artesanato de objetos, indumentárias, adornos corporais, meios de transporte, instrumentos musicais, brinquedos, comidas e bebidas – indicadores bastante próximos da ancestral relação entre o homem e a natureza bem como de suas memórias.
O fazer e a então chamada arte popular
Saber fazer, conhecer a tecnologia, trabalhar a matéria-prima – barro,