Leitura e funcionamento discursivo do livro didático
Leitura e funcionamento discursivo do livro didático
Elaine Xavier
O objetivo do trabalho de Marisa Grigoletto é verificar como se estrutura as seções de leitura de textos nos livros didáticos para o ensino da Língua Portuguesa nos cursos fundamental e médio, para tentar compreender a qual ou quais as concepções do autor do livro didático. Assim verificar também como deve ser a atividade de leitura de textos na aula de Língua Portuguesa, investigando três aspectos: 1) o(s) sentido(s) de leitura que embasa(m) as propostas do livro didático; 2) a concepção sobre a natureza do aluno, enquanto leitor; e 3) o papel do professor, também, de certa forma, usuário do livro.
A autora aponta alguns pontos que chamaram sua atenção como a repetição de algumas características gerais, resultante do funcionamento que rege esse tipo de publicação. O livro didático (LD) se apresenta como um discurso de verdade, e uma das formas de disseminação do poder decorrente da produção, circulação e funcionamento dos discursos na esfera escolar está no LD que funciona como um discurso de verdade.
Grigoletto afirma ser o LD um discurso de verdade por constituir no espaço discursivo da escola como um texto fechado, no qual os sentidos já estão postos pelo autor do livro, e é para apenas ser reconhecido e consumido pelos seus usuários (professor e alunos). Os LD do professor trazem prefácios curtos nos quais o autor geralmente não se estende em justificativas sobre a metodologia adotada ou os conteúdos privilegiados, como se tais aspectos já estivessem legitimados a priori, ou seja, o professor recebe pronto e espera-se que o utilize, pois é visto como usuário assim como os alunos, e não como analista.
Em relação ao aluno raramente se encontra explicações do por que das atividades