Guerra Junqueiro
Márcia Vaz da Rocha1
Nas análises anteriores dos poemas da A velhice do Padre Eterno, é possível perceber a crítica de Guerra Junqueiro ao clero, que fica cada vez mais visível a medida que vamos conhecendo a obra . bem, os poemas A Sesta do Sr. Abade e Circular que serão analisados também são profundamente dotados de crítica e essas são voltada para os valores ipocritas do clero, que era considerada por Guerra junqueiro como uma “...funda chaga social por ser composto, em sua maioria, (...) religiosos devassos.”
( Massaud Moises,1998,p.326). O trecho a seguir é do poema A Sesta do Sr. Abade:
O meio-dia bateu já na torre da Igreja.
A aldeia é silenciosa e triste. O Sol flameja.
(...)
Andam só pela rua os porcos e as crianças.
Fome, desolação, luto, viuvez, miséria
Na aldeia morta. A terra, esquálida e funérea,
Em lugar das canções da abundância e do amor,
Do trigo verde a rir dentro da sebe em flor,
Calcinada e cruel cospe violentamente
SeSó o cardo torcido, epiléptico, ardente,
(...)
caram-se de todo as fontes e os regatos.
(..) O ar carboniza as árvores sequiosas ( Junqueiro,2009,p.137)
Como o nome do poema sugere, o poema vai descrever a “sesta” o sono do Abade após o almoço. O fragmento acima é a descrição que o “eu poético” faz do ambiente onde ocorre o sonho do Abade. Se compararmos a descrição da aldeia feita nesse primeiro momento e a descrição do presbitério vamos perceber dois extremos; Um de extrema pobreza e o outro de luxo e riquezas. Como pode ser visto abaixo:
E o presbitério? Olhai:
Branco como um noivado.
Trepadeiras à porta e pombas no telhado.
Há nesse ninho oculto em verdura frondosa
Como que um bem-estar simples e cor-de-rosa.
Era um ninho discreto, um bom ninho fiel,
Para sugar um favo a três luas-de-mel.
Anacreonte, o velho erótico divino,