etica
Ladislau Dowbor
Abril de 2007
“Quando a consciência da ilegitimidade de um sistema de poder político ou econômico torna-se majoritária no plano nacional ou no internacional, esse sistema já está com os seus dias contados”.
Fábio Konder Comparato, Ética – Cia das Letras, 2006. p. 681
A base ética da era da competição é simples: quem ganha merece o que ganhou, conquanto tenha respeitado as regras do jogo. A ética na era da competição estaria contida no próprio processo produtivo: quem ganha na competição tem naturalmente direito à vantagem, e esta vantagem seria legítima, direito do ganhador. A soma das vantagens individuais daria o máximo de vantagem social. Duas simplificações radicais relativamente ao mundo realmente existente. O problema é que os grandes vencedores se tornaram suficientemente fortes para ir mudando as regras, tornando-se assim mais fortes ainda. Não é mais jogo, quando o mais forte também dita as regras.
Se quem ganha merece, elude-se o problema do resultado final. Mas se num jogo a banca sempre ganha, há algo de errado com as cartas. E quando olhamos para o resultado final do jogo econômico, onde o planeta é literalmente pilhado e sempre em proveito dos mesmos, há realmente algo errado. A economia livra-se do problema ético ao separar os processos econômicos dos resultados. Se já morreram 25 milhões de Aids, e os pobres não podem comprar o remédio, o problema é dêles; por que não se organizaram para serem ricos e poderem pagar o “coquetel” de remédios? Morrem quatro milhões de crianças por ano porque não têm acesso à água limpa? Ora, as regras do jogo é que quem é melhor, ganha. Ao vencedor, as batatas. São 435 famílias que hoje somam uma fortuna superior à renda de 3 bilhões de pessoas, a metade mais pobre da população mundial. São mais espertos, logo merecem?
A importância da pequena fraude que constitui o Banco da Suécia ter inventado de colocar o nome de Nobel no seu prêmio, é