Estado
As diferenças entre as matrizes teórica Liberal e Marxista (usadas para enfrentar os debates sobre a relação do Estado, governo e mercado) podem ser assim resumidas:
Na matriz liberal o domínio do Estado sobre a sociedade funda-se em um contrato social tácito por meio do qual os cidadãos abririam mão de parcela de sua liberdade individual em troca de segurança e justiça.
Para os liberais a vida em sociedade não é natural, ela nasce pela necessidade de se superar um hipotético estado de guerra generalizada de todos contra todos, situação de extrema insegurança.
Essa vida em sociedade seria regida nos termos do contrato social, o qual seria o instrumento balizador das relações entre o Estado e os cidadãos.
A coerção física exercida pelo Estado sobre os cidadãos, portanto, teria natureza legal, nos termos do contrato social que regularia a relação entre o Estado e os indivíduos.
Assim, o matriz se baseia na premissa de que se os cidadãos abrem mão de parcela de sua liberdade em troca de proteção e segurança, eles também reconhecem que o Estado poderá usar a força, se necessário, para garantir os direitos naturais (liberdade, igualdade, propriedade) dos seus cidadãos.
Além disso, para a matriz liberal todos são iguais perante a lei e o Estado, de modo que podem por conta própria lutar para conseguir uma colocação adequada na sociedade e no mercado. Na matriz marxista o debate começa pelo entendimento do comunismo primitivo, onde haveria relação de igualdade dos homens em face dos bens produzidos. No entanto, a partir do momento que a produção passa a gerar excedente, e este excedente se concentra nas mãos de uma ou poucas pessoas, passa a existir uma relação de dominadores versus dominados.
Os detentores do excedente da produção seriam os dominadores, e os trabalhadores seriam os dominados.
Na visão do marxismo