Difusão da cultura
No Brasil, vários movimentos em relação aos hospitais, aos profissio
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nais de saúde e sistema de saúde seguiram, de forma geral, curso similar ao ocorrido em outros países. No entanto, algumas diferenças de datas e peculiaridades brasileiras merecem ser destacadas. Já no período do império algumas tendências se mostravam evidentes. O aparato estatal se ocupava eminentemente de saneamento de portos, das cidades, do controle de epidemias e endemias, tendo construído poucos hospitais próprios, basicamente militares, deixando a cargo da filantropia (santas casas de misericórdia) a construção e manutenção de hospitais. A Medi
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cina privada e uns poucos hospitais em algumas cidades mais importantes do império somente estavam à disposição das classes mais abastadas.
No início do século XX, o Estado brasileiro ampliou suas ações de cunho higienista voltadas para a vigilância dos portos, saneamento das ZZZZZ cidades, controle de grandes epidemias e das endemias que assolavam o país, fazendo-o na forma de campanhas sanitárias, como as promovidas por Oswaldo Cruz para sanear o Rio de Janeiro.
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Essas campanhas frequentemente se faziam de forma autoritária, empregando estratégias militares para sua implementação, o que não raro levou a verdadeiros levantes populares, como o ocorrido no Rio de
Janeiro no início do século XX, conhecido como a Revolta da Vacina. Por este motivo, muitos historiadores da saúde pública têm se referido a essa quadra de nossa história como período do sanitarismo campanhista
. No campo da assistência hospitalar, o aparato estatal especializou-se apenas em segmentos populacionais que, segundo o pensamento dominante à época, poderiam potencialmente trazer impactos não apenas para os indiví
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duos em si, mas também para toda a população. Assim, vai especializar-se, em termos de assistência hospitalar, em doenças infecciosas (hanseníase e tuber
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culose em