Caruaru: em busca de sua identidade
DE CENTRO REGIONAL DESENVOLVIDO À ATRAÇÃO CAIPIRA TELEVISADA: A GENTE VÊ POR AQUI.
Betânia Maciel[2]
Pedro Paulo Procópio3
Resumo: Este artigo analisa de que modo Caruaru, no Agreste pernambucano, é construída pela Rede Globo como Capital do Forró. Destacamos na análise o fato de a cidade ser há mais de um século pólo de desenvolvimento de sua região, além de viver há cerca de uma década um processo de desenvolvimento econômico-social que muda a sua face, moldando-a a um espaço urbano de modernidade. Com quase 300 mil habitantes e o sétimo produto interno bruto do Estado, a cidade é reduzida ao imaginário rural quando analisamos a forma como a sua imagem é veiculada para o Brasil. No resto do país assistir a Caruaru pela TV é limitar-se a pensar na terra do artesanato, folclore e forró; elementos que formam uma identidade “caipira” — muito diferente de sua atual realidade urbanizada.
Palavras-Chave: Caruaru, construção social da realidade, identidade, jornalismo televisivo.
1. Introdução: Caruaru fora da Rede Globo Nordeste
Este artigo pretende fazer uma análise inicial acerca de como a cidade de Caruaru, situada no Agreste pernambucano à cerca de 130 km do Recife, foi construída pela mídia, em especial pela Rede Globo de Televisão e a Rede Globo Nordeste, como a Capital do Forró. Assim, trazemos à tona a temática da influência televisiva no molde de um forte imaginário no tocante à referida cidade. Apontando alguns números: Caruaru, conforme o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2005, tem uma população estimada em 279 mil habitantes e uma área territorial de 928 km2.. Caruaru é, portanto, a maior cidade do interior de Pernambuco e a quinta do Estado, compondo um quadro de importância para toda a região Nordeste. Importância que vai desde os aspectos socioculturais até os econômicos. A cidade de acordo com dados de 2004 da Agência