Alienação em weber e gramsci
Zilda de Araújo RodriguesLara Ribeiro Nunes
ALIENAÇÃO EM WEBER E GRAMSCI
Zilda de Araújo Rodrigues1
Resumo
Este artigo constitui-se da análise de alguns aspectos importantes da sociedade moderna e discute a idéia de alienação que nela emergiu, por meio de dois expoentes do pensamento sociológico contemporâneo: Max Weber e Antonio Gramsci. Delineou-se o cenário em que se desenvolveu o processo de alienação do homem na sociedade moderna, seja na forma dada por Weber, na interlocução que faz com Marx, seja de acordo com a tradição marxista como destacada por Gramsci. Para tanto, utilizou-se como fonte histórica a obra de Eric J. Hobsbawm “A era das Revoluções” (1789-1848). Palavras-chave: sociedade moderna, tradição marxista, dupla revolução, pensamento sociológico.
Introdução A idéia de alienação está presente na obra de dois clássicos da sociologia: Karl Marx e Max Weber. Na teoria marxista a alienação ocupa espaço central e se refere à relação entre o homem e os meios de produção e, entre o homem e o produto do seu trabalho. Antonio Gramsci, continuador da obra de Marx, ao retomar a discussão da alienação do homem na sociedade moderna, o faz
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Mestre em Educação Brasileira pela Faculdade de Educação/UFG. Professora dos cursos de Direito e Normal Superior da Anhanguera - Unigoiás. E-mail: zilda@anhanguera.edu.br
Revista Anhangüera Goiânia v.3 n.1 jan./dez. p.167-192 2002
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Zilda de Araújo Rodrigues
concordando, em parte, com Marx, já que nega a possibilidade de total alienação do trabalhador. Nesse aspecto, Gramsci dialoga também com Robert Taylor considerado o pai da “administração científica” ou taylorismo que constitui-se em uma técnica de controle do tempo que o operário gasta em cada movimento que faz, ao desempenhar suas funções, com vistas a eliminar os gestos supérfluos, e assim aumentar a produção. Ao “reduzir as operações produtivas apenas ao aspecto físico maquinal”, o trabalhador seria