o sofrimento ps quico no trabalho e suas repercuss es patol gicas
O desenvolvimento do ser humano pode ser entendido como notoriamente doloroso e pontilhado por conflitos, está sujeito a tarefas grandiosas, que exige trabalho de sua parte, a partir do próprio momento do nascimento, uma tarefa que a vida lhe impõe, instintivamente.
O ser como feto vive por 9 meses em um ambiente ideal, como num “nirvana”, onde nada lhe falta. Ao ser trazido à luz, depara-se com a falta, o vazio primordial, quando em geral falta-lhe o ar, recebe uma palmada nas nádegas, tem que inspirar e respirar por si mesmo, um trabalho onde tem que se responsabilizar pela sua existência, de certo modo.
Infere-se que neste momento ele sinta dor, sofrimento, alívio e prazer, simultaneamente, o que lhe deixa uma marca mnemônica, um registro, uma reminiscência, que o fundará como ser humano e permeará toda sua vida inconscientemente. Não se pode no futuro ter acesso a essa reminiscência como um significado, haja vista que não foi nomeada, não existem palavras que possam dar conta desse enredado de percepções primárias e ordená-las.
Essas tarefas se repetirão de uma ou de outra forma, durante toda sua existência, que se lhe impõe como o trabalho de viver. Enquanto bebê é totalmente dependente de um Outro ser humano, a mãe ou quem a substitua, e essa entrega absoluta também lhe ficará como um registro mnemônico. Ele tem o trabalho de se haver com isso, chora e o ambiente lhe responde, aprende a partir daí que pode agir sobre o meio externo para satisfazer pulsões internas. Se tudo der certo, ele contar com uma mãe suficientemente boa, a criança cresce e a cada dia vai descobrindo que afinal, ele e a mãe são diferenciados, e que ele deve ter o trabalho de comer, controlar os esfíncteres, manter a higiene, se portar adequadamente, segundo normas e valores ditados pela cultura vigente.
É um trabalho