a terra conta a sua historia
Mas era sábado e não tínhamos ido à praia. O meu pai e a minha mãe foram dormir juntos, lá em cima. Eu e a mana Tchi ficamos na sala, a jiboiar, à espera que acontecesse alguma coisa. E aconteceu mesmo: tocaram à campainha.
Espreitei pela cortina da sala. Era a professora Genoveva, colega da minha mãe na escola onde ela dava aulas. Fazia muito calor. A professora Genoveva transpirava muito e tinha uma cara muito preocupada.
- Não vou abrir - a minha irmã já tinha gritado.
- Nem eu! - eu disse a seguir.
- Mas eu pedi primeiro.
A mana Tchi ficou deitadinha no sofá, a rir. Eu tinha que ir falar com a professora Genoveva. Abri a porta do corredor, e um bafo quente tocou-me na cara. Olhei e vi bem, era mesmo ela. Peguei na chave, aproximei-me do portão pequenino. Abri a porta.
- Boa tarde, camarada professora.
- Estás bom, filho? - ela perguntou, e passou a mão toda suada no meu queixo, como eu não gostava que ninguém fizesse.
- Sim, tudo bem.
- A mãe? - ela perguntou devagarinho.
- A mãe tá deitada.
- Ó filho, não podes ir chamar a mãe? Eu preciso muito de falar com ela.
Isso de «eu preciso muito de falar com ela» era uma frase que eu já conhecia de outras pessoas. Mesmo eu já tinha sido ralhado muitas vezes pelo meu pai, só por ter-lhe acordado na conta de umas pessoas chatas que tinham vindo lhe incomodar. Uma vez eu fui acordar o meu pai, «pai, está lá em baixo o camarada João, veio pedir cigarros», e o meu pai disse assim meio a dormir «cigarros, a bardamerda!», mas não podia dizer isso ao camarada João então menti que o meu pai estava mal disposto e eu não tinha conseguido lhe acordar. Também às