SOBRE JOVENS, LIMITES E LIBERDADE
Washington Moura Filho,
Jornalista e Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Piauí (UFPI)
A condição da criança na família do século XVIII era de submissão. Meninos e meninas não podiam posicionar-se em casa. Numa sociedade patriarcal, o pai ditava as regras e investia seu tempo no trabalho. Mulher e criança eram sujeitos secundários.
Heranças de um passado conservador e tradicionalista hoje levam jovens a reivindicarem mais liberdade em tempo de tecnologia de informação e comunicação. Em casa, os pais, a cada dia, pensando proteger os filhos, causam conflitos no próprio seio familiar porque querem impor autoridade. Falta diálogo na relação pai-filho. Não se estabelece diferença precisa entre liberdade e falta de limites.
A socialização da criança começa na família. Em seguida a escola é o espaço de continuidade nesse processo. Alguns pais transferem para a escola a responsabilidade que lhes é incumbida. Devido o desejo de oferecer boa qualidade de vida aos filhos por meio do trabalho, pais passam a maior parte do dia fora de casa. Assim, o final de semana é restrito para recuperar minutos preciosos. A conversa, prioritária entre pais e filhos, está frágil. Nem a benção, sinal de respeito entre gerações, os adolescentes pede aos pais.
Quando chegam à universidade, jovens encontram ambiente propício para por em prática a liberdade tão almejada. A responsabilidade, para alguns, deve ser limitada e não passa por princípios como adquirir bons hábitos e rever comportamentos. Más práticas assimiladas durante a infância tornam-se mais complexas. Rapazes e moças pensam poder tudo a qualquer hora, inclusive deixar os estudos para segundo plano. É movimento cíclico. À proporção que os valores não são ensinados aos filhos, eles não terão noção de limites.
No ensino universitário o professor é peça-chave nesse processo. É sujeito importante para a formação moral dos discentes. O contado