Show de truman
Toda a realidade é construída pela percepção e reconhecimento de algo concreto. Acredito que este seja o pensamento básico que perpassou minha mente ao me deparar com a construção de realidade televisiva presente no filme “ O Show de Truman”, onde o personagem principal é desde a mais tenra infância socializado dentro de uma realidade forjada televisivamente seguindo a lógica mercadológica das transmissões mais modernas. A questão que se forma é até que ponto aquele cenário de papelão, com câmeras e holofotes voltados para Truman pode ser legitimado enquanto realidade. Afinal, o personagem de Jim Carrey na trama percebia o seu cotidiano como real e o entendia como algo concreto dentro de sua própria noção subjetiva.
E é ai que o filme o “Show de Truman” se sustenta. A questão perceptiva é seu ponto de apoio e articulação. O que é real e o que é artificial em nossa sociedade? Até que ponto nossas interações e vivências são sólidas ou tão líquidas a ponto de não conseguirmos sequer mantê-las ou tê-las como relevantes? Como distinguir as percepções de Truman no filme? Como a lógica subjetiva de exacerbado egoísmo e peso social no agente valorizam o empírico de tal forma a ponto de não questionarmos as artificialidades do mundo contemporâneo a nossa volta? Realidade e a construção cenográfica.
O escritor irlandês Oscar Wilde certa vez escreveu que “a vida é um grande palco, mas os papéis foram escolhidos grosseiramente”. Em verdade, temos de concordar que a realidade é construída individualmente pelas percepções que temos da coletividade. Esse processo de alteridade que nos define