Resenha de “ a educação dos sentidos” (peter gay)
Neste primeiro capítulo, Peter Gay discorre na intenção de melhor nos fazer compreender a experiência burguesa no século XIX, e como foi sendo definida essa classe em emergência.
A burguesia apontada pelo autor não era de fato uma classe homogênea, coesa e solidificada, guardando, então, dentro de si mesma várias divergências. Em uma época em que a idéia de “consciência de classes” estava em efervescência, era importante assegurar a idéia de “status”, mas até mesmo o núcleo burguês mais bem estratificado, possuía seus desencontros internos, que iam de interesses culturais, até condições econômicas, sociais e políticas, opostas.
Havia um espaço profundo que separava os burgueses mais bem abastados, daqueles que estavam basicamente na fronteira com a miséria, como os artesãos independentes. Parte dos funcionários públicos da época, dentro dessa classe, ganhava por volta de 125 libras, enquanto pouquíssima parcela da gente, ganhava 2 mil anualmente.
O vale que dividia os grupos dentro da “burguesia” era largo e de difícil transpor. Aí já observamos os sinais da heterogeneidade citada por Gay, quando diz sobre a inconveniência de se tomar um mesmo termo (burguês), para classificar pessoas com diferentes poderes aquisitivos e de influencia, na sociedade.
Grande maioria desses burgueses preferiam espetáculos culturais de caráter exibicionistas , pois a idéia era um acúmulo aparente de erudição. A ambição quanto a possuir erudição era uma característica dentro da qual podia-se agregar à classe média, quando a preocupação era encontrar uma definição para “burguesia”. O que ainda, por mais que o esforço fosse válido, não podia ser completamente levado em conta, já que até os interesses culturais em si, também eram distintos.
A partir dessa impressão de “aparências”, surgiu o conceito de que as classes médias convertiam coisas como amor e relações afetivas, em puro racionalismo. Pensando assim, tudo para a