Politica
Segundo os dados do PME divulgados recentemente, mostram que o mercado de trabalho brasileiro continua aquecido, apesar do modesto crescimento do PIB. A taxa de desemprego em abril ficou em 5,8%, a mais baixa para o mês na série histórica, enquanto o rendimento real habitual aumentou 1,6% em relação a abril de 2012 e 3,1% no acumulado de doze meses. Quando o PIB do setor de serviços está em alta o mercado trabalhista está em boa fase, como a mão de obra é muito procurada, aumenta a procura por trabalhadores. Isso gera benefícios e custos, ainda que estes sejam pouco ressaltados no debate atual. A baixa taxa de desemprego, associada a um crescimento da renda real, insere milhões de pessoas no mercado de consumo, melhorando a sua qualidade de vida. O mercado de trabalho aquecido facilita a migração dos trabalhadores domésticos para outras ocupações e o emprego de trabalhadores com baixa qualificação. A maior massa salarial incentiva o consumo, principalmente no setor de serviços, gerando uma demanda ainda maior por trabalhadores e, com isso, novos aumentos reais de salários. Contudo, esse ciclo virtuoso no mercado de trabalho tem seus custos. A elevação da renda real ocasionada obriga a indústria a pagar salários mais elevados. Os salários mais altos, combinados ao baixo crescimento da produtividade, elevam os custos, acentuando a perda de competitividade do setor, e com isso a redução dos investimentos. Ao mesmo tempo, a elevação do consumo de serviços causa a baixa qualificação e, por isso, geram baixo valor agregado, ou seja, nada mais nada menos do que compromete o crescimento econômico futuro, impedindo uma elevação mais rápida da renda per capita nacional.