parque xingu
Os índios não estão preocupados à toa. Quando se substituem as pastagens por lavouras de soja, o quadro de impactos se altera substancialmente. O uso de defensivos, por exemplo, provoca alterações na qualidade da água dos rios e é a principal preocupação dos índios xinguanos. Esse é um problema mais recente, já que até meados da década de 1990, os impactos sobre os recursos hídricos estavam associados majoritariamente à pecuária, que era a atividade predominante no entorno do Parque Indígena do Xingu.
Para formar as pastagens, os métodos utilizados pelos fazendeiros iam desde a supressão total da vegetação de uma grande área, até a eliminação da mata ciliar, que protege as margens dos rios da erosão. Tudo para que o boi pudesse beber água sem que o mato o atrapalhasse. O resultado é que desde a década de 1970, a perda de floresta, de cerrados e, principalmente, a destruição das matas ciliares deram início a um processo intenso de assoreamento de muitos córregos e nascentes que formam o rio Xingu, além da erosão de extensas porções de terra.
Os riscos dos agrotóxicos
A presença de agrotóxicos na água de acordo com uma bióloga projeto de saúde indígena no Parque do Xingu, afirma que não existe ainda um levantamento sobre a presença de elementos químicos nos rios da região. Mas diz que os índios demonstram preocupação com a possibilidade de contaminação da água e dos peixes por resíduos trazidos das fazendas. "O que muitos índios já constataram é que houve uma diminuição no número de peixes dos rios e que a água tem sofrido alterações, como ficar turva em alguns pontos, que está associado ao assoreamento de cursos d'água." A contaminação da água por agrotóxicos pode ocorrer de duas formas: através do lençol freático ou pelo escoamento superficial da água, isto é, a lixiviação. No Cerrado, onde predominam as Areias Quartzozas, que são altamente suscetíveis à erosão e à lixiviação, a chuva carrega as camadas mais superficiais do solo, e