ATPS Farmacologia Nicotina e Tabaco
HISTÓRICO
A Nicotiana tabacum é originária da América do Sul. Por vários séculos, antes da chegada de
Colombo, era cultivada pela população nativa que fumava as folhas durante vários rituais.
O extrato das folhas da planta era utilizado para matar parasitas dentro e fora do corpo, como inseticida. O cultivo, o ato de mascar e de fumar tabaco eram costumes indígenas antigos em todo o subcontinente americano e também no australiano, quando os exploradores europeus visitaram pela primeira vez estes lugares. O ato de fumar se espalhou por toda a Europa durante o século XVI.
Os termos tabacum e tabaco vêm do nome de um tipo de junco vazado que era usado pelos nativos americanos para inalar o fumo. Nicotiana vem do nome de um médico francês, Jean
Nicot (1530-1600), que introduziu a planta com sucesso na França. Nicot estudou a fundo os efeitos da nicotina e a recomendava como uma substância que “curava-tudo”.
A nicotina foi inicialmente isolada de folhas de tabaco, Nicotiana tabacum, por Posselt e
Reiman em 1828, e Orfila iniciou os primeiros estudos farmacológicos do alcalóide em 1843.
Estima-se que aproximadamente um terço da população brasileira adulta fume, sendo aproximadamente 11 milhões de mulheres e 16 milhões de homens. O maior número de fumantes está concentrado na faixa etária dos 20 aos 49 anos (Instituto Nacional do Câncer,
2003).
MECÂNISMO DE AÇÃO
A Nicotina exerce sua ação farmacológica ligando-se a receptores colinérgicos nicotínicos
(nAchR). Esses receptores são pentâmeros compostos por diferentes combinações de subunidades. Os receptores nicotínicos são exemplos típicos de canais iônicos regulados por ligantes havendo três classes principais: os musculares, ganglionares e do sistema nervoso central. As cinco subunidades que formam o complexo receptor-canal assemelham-se na sua estrutura.
Até hoje, foram identificados e clonados 16 membros diferentes da família, designados por α
(nove tipos), β