As implicações do 11
Estudo das Relações
Internacionais*
Barry Buzan
Introdução
Quase ninguém discute que o fim da Guerra Fria teve um profundo impacto sobre o padrão das relações internacionais, e boa parte da última década foi gasta com a tentativa de compreender a natureza das mudanças ocorridas. Realistas e neo-realistas, em particular, vêm focalizando a transformação da bipolaridade em unipolaridade e suas conseqüências para a política de poder mundial. Globalistas, seja da corrente liberal ou marxiana, têm voltado sua atenção para a crescente
* Este trabalho foi originalmente preparado para a Conferência sobre a Agenda de Pesquisa em Política
Internacional na Seqüência do 11 de Setembro, 11 de abril de 2002. Uma versão subseqüente foi publicada em Mary Buckley e Rick Fawn (eds.), 11 de Setembro: Reações do Mundo (2002/3). Agradeço a Chris
Browning, Tarja Cronberg, Rick Fawn, Stefano Guzzinin, lene Hansen, Ulla Holm, Pertti Joenniemi,
Dietrich Jung, Viatcheslav Morozov, Noel Parker e Ole Wæver pelos comentários que fizeram a uma versão anterior. Boa parte da seção 1 foi retirada de um texto feito em conjunto com Ole Wæver (ver Buzan e
Wæver, no prelo). Tradução de Marisa Gandelman – marisa@copygan.com.br.
CONTEXTO INTERNACIONAL Rio de Janeiro, vol. 24, nº 2, julho/dezembro 2002, pp. 233-265.
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importância das dimensões econômica e transnacional, e o conseqüente declínio de ênfase na territorialidade, em geral, e no Estado, em particular. Regionalistas defendem a idéia de que a partir da descolonização, os padrões regionais passaram a ser mais autônomos e representativos, e que o fim da Guerra Fria acelerou esse processo.
Construtivistas e outros assumiram a posição da longeva Escola
Inglesa de que precisamos entender as mudanças e suas conseqüências não apenas na distribuição internacional de poder, mas também na estrutura normativa da sociedade internacional. Alguns acreditam que a